Confira a entrevista com os músicos da banda Samba Comunidade

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Desde que o samba é samba não se sabe realmente onde ele surgiu, se no Rio de Janeiro ou na Bahia. Mas, o que se sabe é que o movimento deste gênero genuinamente brasileiro está crescendo no gosto popular e profissionalmente. Prova disso, foi o surgimento da banda Samba Comunidade que há menos de um ano vem incendiando os guetos, vielas, favelas e “asfalto”.

A banda que começou sem pretensão nenhuma de ir adiante, formou-se através de arrastões juninos durante a Copa Mundial de 2010, e como o som “groovou” (gíria usada pelos músicos quando o som dá certo) e, a ideia de constituir o grupo também “groovou”.  Com uma linguagem inovadora e ao mesmo tempo de resgate das raízes do gênero genuinamente brasileiro, preservando a célula do Samba

A banda que foi gerada no bairro do Engenho Velho de Brotas, tem no seu comando Wellington (ex-percussionista dos grupos: Pagodart e Os Barões) e Vinny (ex-vocalista do Pagode em Família).

Samba Comunidade é a menina dos olhos da rapaziada do gueto que conquistou as caixas de som dos carros dos playboys, o home theater da casa do barão e a vez no repertório de grupos de nome da capital baiana que incluíram sua música de trabalho intitulada com o mesmo nome da banda.

E por isso estamos aqui para conhecer um pouco os vocalistas da banda do momento que gravará seu 1º DVD na casa de show Cais Dourado, no dia 12 de junho, a partir das 13hs, com a participação especial de Márcio Vitor (Psirico)

Aratu Online - Como surgiu a música na vida dos cantores da banda?

Wellignton - Eu cresci cercado pela música, envolvido pelo toque dos atabaques, pois minha casa era um terreiro de candomblé e, tirei de ouvido o som do instrumento. Hoje em dia, arranho no cavaquinho e violão. Ninguém me ensinou a tocar... Aprendi sozinho! Aos nove anos entrei no grupo de samba Luz da Juventude. E desde então, virei percussionista.

Trabalhei em inúmeras bandas, porém, as mais conhecidas foram: Pagodart e Os Barões. E graças a Deus, estou realizando meu sonho de ser cantor, principalmente de Samba de Roda, que sou apaixonado! .

Vinny - A minha formação musical vem de dentro da barriga de minha mãe, porque venho de uma família de músicos... Vem de geração para geração: do meu avô e do meu pai (dono do Bloco Fruto do Samba), meus tios, que tocaram no Raça Pura, Liu (Bom Balanço), Ednei (Cia do Pagode), Chiclete (Conexão Negra), Quila (Tonho Matéria) e Roque Beteque que vinha do Bahia Samba.

Minha família é de uma origem harmônica e o sonho de meu pai era que eu tocasse cavaquinho, e aos dez anos de idade aprendi a tocar. Mas, minha onda era outra... Montei uma banda que tocava no Engenho Velho de Brotas, Mexe com a Gente. Depois disso, passei para o Pagode em Família para tocar banjo e fazer back. E, aos poucos fui aumentando minhas participações nos shows.

Com a saída de um dos vocalistas passei a dividir a responsabilidade do microfone com o outro cantor. Até receber o convite para ingressar no Samba Comunidade. Eu me emociono muito quando lembro de minha origem porque tenho minha família como exemplo.

AO - Como é feita a escolha do repertório da banda?

Wellignton - Todo mundo participa da escolha das músicas. Trouxe ideias, vamos analisar, escutar... É bom? Vamos colocar! Um pouquinho de cada: Forró, Axé, Samba de Roda lembrando das coisas antigas, das atuais. O repertório está com 70% de músicas do Samba Comunidade e 30% releituras de canções de Márcio Vitor, Gerônimo, Pagolada, Jaquê, Samba Fama, estamos pegando tudo e transformando para samba de roda.

AO - O ensaio na Ed Dez é uma prévia para a gravação do DVD?

Cada semana apresentamos um repertório diferente, experimentando tudo, o que dá para sentir a reação do público, sempre com músicas novas, mas pode ser sim uma previa para o DVD.

AO - A influência musical deve-se à alguém?

Wellignton - Quando eu penso em cantar qualquer coisa no Samba Comunidade, lembro de Jaquê, Leva Eu, Samba Fama, o grande Riachão e todos os Sambas de Roda da Bahia. Nós escutamos essa galera que tá há mais tempo na estrada e colocamos na célula do Samba de Roda numa pegada mais moderna. E pra mim existem três caras que puxando o Samba de Roda pra mim não tem igual: Tatau (ex-Araketu), Ninha (ex-Timbalada) e Nei Massal (Gangue do Samba).

Vinny - Eu me espelho muito no Pagode em Família e Conexão Negra, pra mim, uma das melhores bandas de Samba de Roda que existiram na Bahia, no groove da banda É o Tchan que era Gera Samba, Queinho do Pagoleiro, Nelson Rufino.

AO - A banda quer passar que mensagem para seu público?

Wellignton - A gente passa alegria, amor, emoção, felicidade. Muita gente acha que emoção só é passada naquela música lenta, dolente. Mas não! O samba de roda também faz chorar, emocionar, lembrar de muitas coisas... Quem não tem sua vovó e mamãe que lavou roupa de ganho e lavou sua louça cantando samba de roda? E quando a gente pega as canções antigas de Samba de Roda a vovó e a mamãe choram. O chorar não significa tristeza, mas alegria, relembrar fatos.

AO - Qual a expectativa para a gravação do DVD?

A expectativa é imensa! A melhor possível! Estamos ensaiando de segunda a segunda para a gravação do DVD. Para quem gosta de sambar, de sapatear, cantar, esse vai ser o show pra fazer tudo isso, até o “arroz secar”! Prepara a sandália, o tênis novo... À mulherada que anda de salto recomendamos ir com sandália rasteira na bolsa pra depois trocar, porque nós estamos chegando com uma pegada violenta.

 

Fonte: Aratu Online

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